Entre todas as obras que Deus realizou no tempo e fora de si, a maior é a Encarnação redentora do Verbo. Maior, porque tem por termo, não uma simples criatura, por mais sublime que seja, mas o próprio Deus. O Verbo Eterno, que assume no tempo uma natureza humana. Maior porque, sendo a manifestação suprema do amor misericordioso de Deus, é entre todas a que mais o glorifica, glorificando-o em relação à caridade que é a essência de Deus. Maior, enfim, pelo bem imenso que traz aos homens. A remissão dos pecados, a salvação e a felicidade eterna de todo o gênero humano dependem completamente da Encarnação do Verbo, de Jesus, Verbo encarnado.
Deus Pai escolheu-nos "nele, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis aos seus olhos. No seu amor, predestinou-nos a sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo... em quem temos a redenção... pela riqueza de sua graça... Deus, rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos pelos pecados, fez-nos assentar nos céus" (Ef 1,4-7; 2,4-6).
Jesus, o Verbo encarnado, é a única fonte da salvação e da santidade. "É ele a imagem do Deus invisível (Cl 1,15), é o homem perfeito que restituiu aos filhos de Adão a semelhança com Deus, deformada desde o primeiro pecado" (GS 22). Sem Cristo, não poderia o homem chamar Deus com o nome de Pai. Não poderia amá-lo como filho, nem esperar ser admitido à sua intimidade, não haveria graça nem visão beatífica de Deus. Sem Jesus, ficaria o homem preso nos limites de uma vida puramente humana, privada de todo horizonte sobrenatural, no tempo e na eternidade.
A Encarnação do Verbo, a maior obra de Deus, destinada a iluminar e a salvar o mundo inteiro, realiza-se na obscuridade, no silêncio, em meio às circunstâncias mais humildes e mais humanas. O edito de César obriga Maria e José a deixarem a humilde casa de Nazaré e ei-los a caminho, a pé, com os mais pobres, apesar do estado de Maria que está prestes a ser Mãe. Não se julgaram autorizados a adiar a viagem, não fizeram objeções, obedeceram com prontidão e simplicidade. Quem manda é um homem, mas seu profundo espírito de fé entrevê, na ordem do imperador pagão, a vontade de Deus, e vão confiantes na divina Providência! Deus sabe e Deus providenciará: "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28).
Nada acontece por acaso: também o lugar de nascimento do Salvador já tinha sido indicado pelo profeta: "E tu, Belém de Efrata, és muito pequena... contudo, de ti sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel" (Mq 5,1). Pela obediência dos humildes esposos realiza-se a profecia. Chegados a Belém, procuram hospedagem, mas "não havia lugar para eles na hospedaria" (Lc 2,7): só lhes resta abrigarem-se numa gruta dos arredores. A miséria daquele refúgio de animais não os desanima, nem escandaliza: sabem que o Menino é Filho de Deus, mas sabem também que as obras de Deus são bem diferentes das dos homens! E se quer Deus que sua maior obra se realize ali, naquela miserável gruta, na mais extrema pobreza, Maria e José nada têm a replicar! Bastaria um pouquinho de espírito humano para se desanimarem, para se desorientarem, para duvidarem... Maria e José são profundamente humildes, por isso dóceis e cheios de fé em Deus. E Deus, conforme seu costume, serve-se do que é humilde e desprezível aos olhos do mundo, para realizar a mais grandiosa de suas obras.
No silêncio e na obscuridade da noite, Maria dará à luz um filho: "o Filho do Altíssimo" (Lc 1,32). Assim, finalmente, tornava-se história "o que tinha sido profetizado... 'Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho que se chamará Emanuel', que significa 'Deus conosco'" (Mt 1,22-23).
Frei Gabriel de Santa Maria Madalena, OCD








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