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A história bíblica termina no livro de Atos, que descreve o ministério da igreja
primitiva. Em Atos vemos como a mensagem concernente a Jesus - a mensagem da
redenção - propagou-se de Jerusalém até Roma, centro do mundo Ocidental.
O
livro de Atos mostra a expansão da igreja:
a) Em Jerusalém;
b) De Jerusalém para a Judéia, Samaria e região.
c) De Antioquia até Roma.
a) A Igreja em Jerusalém
As primeiras
experiências dos discípulos de Jesus em Jerusalém revelam muita coisa acerca da
igreja primitiva. O livro de Atos mostra com que zelo esses cristãos divulgaram
as notícias a respeito de Jesus.
O livro inicia-se numa colina próxima a
Jerusalém, onde Jesus estava prestes a ascender ao céu. Ele disse aos
discípulos: "...ao descer sobre vós o ES, e sereis minhas testemunhas tanto
em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra"
(At 1.8). Esse era o plano de Jesus para evangelizar o mundo.
Poucos dias
mais tarde os discípulos substituíram Judas, que se havia matado depois de trair
a Jesus. Escolheram a Matias para completar o grupo dos doze.
Então o Cristo
ressurreto deu à igreja seu ES, que capacitou os cristãos a cumprirem a tarefa
de âmbito mundial (At 1.8).
Pedro falou à igreja no dia de Pentecoste,
revelando a importância de Cristo como Senhor da salvação (At 2.14-40). O ES
revestiu a igreja de poder para operar sinais e maravilhas que confirmavam a
veracidade dessa mensagem (At 2.43). Especialmente significativa foi a cura de
um mendigo operado pelos apóstolos à porta do templo ( At 3.1-10), o que colocou
os apóstolos em conflito com as autoridades judaicas.
A igreja mantinha
estreita comunhão entre seus membros. Compartilhavam as refeições em seus lares;
também adoravam juntos e repartiam os seus bens (At 2.44-46; 4.32-34).
À
medida que a igreja continuava a crescer, as autoridades governamentais começara
a perseguir abertamente os cristãos. Pedro e alguns dos apóstolos foram presos,
mas um anjo os libertou; convocados perante as autoridades, estas lhes deram
ordens de parar com a pregação a respeito de Jesus (At 5.17-29). Os cristãos,
porém, recusaram-se a obedecer; continuaram pregando, muito embora as
autoridades religiosas os espancassem e os laçassem na prisão diversas
vezes.
A igreja crescia com tanta rapidez que os apóstolos precisaram de
auxílio em algumas questões práticas de administração eclesiástica,
principalmente no atendimento às viúvas. Para a execução desta tarefa ordenaram
sete diáconos.
b) De Jerusalém para toda a Judéia
A
segunda fase do crescimento da igreja começou com uma violenta perseguição dos
cristãos em Jerusalém. Quase todos os crentes fugiram da cidade (At 8.1). Por
onde quer que fossem, os cristãos davam testemunho, e o ES usava esse testemunho
a fim de conquistar outras pessoas para Cristo (At 8.3...). Por exemplo, um dos
sete auxiliares, chamado Filipe, conversou com um diplomata etíope; esse homem
tornou-se cristão e levou as boas novas para sua pátria ( At 8.26-39).
A esta
altura a Bíblia descreve a conversão de Saulo de Tarso. Antes de converter-se,
Saulo perseguia a Igreja. Ele obteve cartas das autoridades judaicas em
Jerusalém que o autorizava a ir a Damasco efetuar a prisão dos cristãos ali e
matá-los. No caminho, Cristo derrubou-o por terra e o desafiou. Saulo rendeu-se
e assim começou uma nova vida na qual ele devia usar seu nome romano, Paulo em
lugar de Saulo, o nome judaico. Paulo cheio do ES começou a pregar a respeito de
Jesus na sinagoga judaica, e os dirigentes judeus o expulsaram de Damasco. Algum
tempo depois (Gl 1.17-2.2), ele foi pra Jerusalém, onde estabeleceu uma relação
com os apóstolos.
Devemos notar também que o ministério de Pedro, que foi
especialmente marcado por milagres. Em Lida ele curou um homem chamado Enéias
(At 9.32-35). Em Jope, Deus o usou para ressuscitar Dorcas (At 9.36-42). Por
fim, recebeu de Deus uma visão que o convocava para Cesaréia, onde apresentou o
evangelho aos gentios (At 10.9-48). Ele foi o líder máximo dos apóstolos e seu
ministério reanimou o entusiasmo da igreja primitiva. Apóstolo era uma
pessoa a quem Cristo havia escolhido para um treinamento especial no ministério
( Gl 1.12). Os apóstolos lançaram o alicerce da igreja mediante a pregação do
evangelho de Cristo (Ef 2.20; 1Co 3.10-11; Jd 3-21). Deususou Pedro para abrir a
porta da salvação aos gentios.
Neste ponto a narrativa bíblica volta-se
brevemente para a expansão do evangelho entre os gentios em Antioquia (At
11.19-30). É quando lemos acerca do martírio de Tiago em Jerusalém, e de como
Pedro foi miraculosamente liberto da prisão. (At 12.1-19).
De
Antioquia até Roma
O restante do livro de Atos descreve a expansão da
igreja por intermédio do Apóstolo Paulo. Barnabé levou Paulo para Antioquia (At
11.19-26). Aí o ES chamou a Barnabé e a Paulo para serem missionários, e a
igreja os ordenou para essa tarefa (At 13.1-3). Eles começavam pregando numa
sinagoga judaica. Por conseguinte, a igreja primitiva constituía-se, antes de
tudo, de convertidos dentre os judeus e de pessoas "tementes a Deus" (gentios
que adoravam com os judeus). Na primeira viagem houve um dramático confronto com
o diabo quando Deus usou a Paulo para derrotar o mágico (feiticeiro) Elimas (At
13.6-12). O jovem João Marcos acompanhava a Paulo e a Barnabé, mas, de Perge,
resolveu voltar a Jerusalém, fato que deve ter causado grande desapontamento a
Paulo (At 15.38). No sermão que Paulo proferiu na sinagoga em Antioquia da
Pisídia (At 13.16-41) ele faz um resumo da história da redenção, acentuando seu
cumprimento em Jesus. Ele declarou: crer em Cristo é o único meio de
libertar-se do pecado e da morte (At 13.38,39).
Em listra, judeus hostis
instigaram as multidões de sorte que Paulo foi apedrejado e dado por morto (At
14.8-19). A viagem terminou com Paulo e Barnabé voltando a Antioquia, onde
relataram tudo quanto Deus havia feito por intermédio deles, e como a fé se
espalhara entre os gentios (At 14.26-28).
Mais tarde, surgiu na igreja uma
séria desinteligência. Alguns cristãos argumentavam que os gentios convertidos
tinha de observar as leis do AT, de modo especial a da circuncisão. O problema
foi levado perante o concílio da igreja de Antioquia e de Jerusalém. Deus
dirigiu esse concílio (reunido em Jerusalém) para declarar que os gentios não
tinham de guarda a Lei a fim de serem salvos. Mas instruíram aos novos conversos
a que se abstivessem de comer coisas sacrificadas aos ídolos, sangue e animais
sufocados (At 15.1-29), para não escandalizarem os judeus. O concílio enviou uma
carta a Antioquia; a igreja leu-a e a aceitou com sendo a vontade de
Deus.
Não demorou muito, Paulo resolveu visitar todas as igrejas que ele e
Barnabé haviam estabelecido na primeira viagem missionária. E assim teve início
a segunda viagem missionária (At 15.40-41), desta vez em companhia de Silas.
Observe-se, especialmente, a visão que Deus deu a Paulo em Trôade, convocando-os
para a Macedônia (At 16.9-10). Na Macedônia eles conduziram à fé pessoas
"tementes a Deus" (gentios que criam em Deus) e também judeus.
Um dia os
missionários defrontaram-se com uma jovem escrava possuída do demônio. Seus
donos auferiam lucro da capacidade que tinha a jovem de adivinhar. Paulo
expulsou os demônios da jovem. e ela perdeu seus poderes, por isso seus senhores
prenderam-nos (At 16.19-24). Na prisão, Paulo e Silas pregaram ao carcereiro.
Foram libertados de manhã e se dirigiram para Tessalônica, onde muitos se
converteram sob seu ministério. A seguir foram para Beréia, onde também
alcançaram grande êxito (At 17.10-12). Em Atenas, Paulo pregou um grande sermão
aos filósofos na colina de Marte. A próxima parada foi Corinto, onde Paulo e
seus amigos permaneceram por um ano e meio. Daqui voltaram para Antioquia,
passando por Jerusalém (At 18.18-22). Todo esse tempo, Paulo e seus companheiros
continuaram a pregar nas sinagogas, e enfrentaram a oposição de alguns judeus
que rejeitaram o evangelho (At 18.12-17).
A terceira viagem missionária
abrangeu muitas das mesmas cidades que Paulo havia visitado na segunda. Ele fez,
também, uma rápida visita às igreja da Galácia e da Frígia (At 18.23).
Em
Efeso ele batizou doze dos discípulos de João Batista que haviam aceitado a
Cristo, os quais receberam o ES (At 19.1-7). Durante quase dois anos ele pregou
na escola de Tirano (At 19.9-10).
De Éfeso, ele foi para a Macedônia e,
finalmente, voltou a Filipos. Depois de uma breve estada nesta cidade, ele
viajou para Trôade, onde um jovem chamado Êutico pegou no sono durante o sermão
de Paulo e caiu de uma janela do terceiro andar, sendo dado por morto. Deus
operou por meio de Paulo para trazer Êutico de volta à vida (At 20.7-12). Dali
os missionários foram para Cesaréia, passando por Mileto. Em Cesaréia o profeta
Ágabo predisse o perigo que aguardava a Paulo em Jerusalém; ali ele enfrentou
dificuldades e prisão. A Bíblia registra um discurso que ele fez ali em defesa
de sua fé (At 22.1-21). Finalmente, as autoridades religiosas conseguiram
enviá-lo para Roma a fim de ser julgado. A caminho, o navio que o transportava
naufragou na ilha de Malta. Aqui foi picado por uma cobra venenosa, mas não
sofreu dano algum (At 28.7-8). Depois de passar três meses em Malta, ele e seus
guardas navegaram para Roma.
O Livro de Atos encerra com as atividades de
Paulo em Roma. Lemos que ele pregou aos principais judeus (At 28.17-20). Durante
dois anos morou numa casa alugada, continuando a pregar às pessoas que o
visitavam (At 28.30-31).
Encerra-se a história da redenção registrada na
Bíblia. O Evangelho tinha sido eficazmente plantado em solo gentio, e a maioria
das Epístolas havia sido escritas. A igreja estava no processo de separar-se da
sinagoga judaica e tornar-se um organização distinta.
Fonte: O Mundo do Novo Testamento - Editora Vida







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