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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dons do Espírito Santo

A atividade dos dons do Espírito Santo desenvolve-se nas manifestações ordinárias no âmbito da ordem normal da graça divina; assim que os dons e as capacidades naturais da pessoa humana são colocados sob a ação e instrução do Espírito Santo. Sua eficácia mais notável está em criar uma segurança instintiva no que concerne à religião. Diz São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, I – II, 68, 2; que quem está sob a ação do Espírito Santo faz o que é reto, por uma espécie de instinto interior, e em suas decisões como em seus propósitos, escolhe sempre o que mais contribui para a glória de Deus e salvação das almas. O homem possui já certa predisposição para esse influxo interior, aliás, só é homem perfeito quem se deixa levar por esses influxos sobrenaturais. Continua dizendo São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, l. c., 1. que o grande Ideal dos dons do Espírito Santo é levar a pessoa humana à perfeita semelhança com Cristo Jesus. De modo que não ocorra nunca resistência ou contraste diante das disposições divinas. O Espírito Santo dá-nos esta conformidade com Cristo Jesus sobretudo com referência à sua Paixão, pois é nela que os dons do Espírito Santo se manifestam de maneira mais esplêndida.

São Tomás de Aquino completando um pensamento de Aristóteles, pondera: “Quem se deixa guiar por um instinto divino, não se deve regular segundo a razão humana, mas deve, antes, seguir o instinto interior já que é movido por um princípio superior à razão humana. (Suma Teológica, l, c) A ordem dos dons provém do Profeta Isaías, que diz:
“Um ramo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento; Espírito de conselho e de fortaleza; Espírito de ciência e de piedade; Espírito de Temor de Deus. (Is. 11, 1 – 2).
 O Profeta Isaías pronunciou esta profecia quando a nação Israelita estava ameaçada de guerra pelos babilônios. Por isto Santo Agostinho em seu escrito: In psal. 11, 7; diz que os dons do Espírito Santo representam uma setenária conformação e purificação, como a prata é provada pelo fogo, assim também o homem é impulsionado à perfeita obediência e ao perfeito amor de Deus.

Jesus, depois que foi batizado por João no Jordão (Lc. 3, 21 – 22) ficou cheio do Espírito Santo (Lc. 4, 1), isto quer dizer que os dons do Espírito Santo agia em Jesus. Também os Apóstolos, (At. 1, 1 – 14), quando rezavam com Maria, a mãe de Jesus, receberam o Espírito Santo (At. 2, 1 – 14), e pasmou o mundo, sendo necessário que o primeiro Papa Pedro (Mt. 16, 18 – 19), fizesse um discurso pedagógico e explicativo da história da Salvação (At. 1, 15 – 26; At. 2, 14 – 41), de tal modo que três mil pessoas pediram o batismo. (At. 2, 42).
O Espírito Santo dá os dons: a graça única do Espírito Santo possui setiforme eficácia – e purificação – transformação e santificação da nossa vida. O Espírito Santo tira toda a impureza de nossas vidas e nos torna semelhante a Deus. (Enciclopédia catequética, Vol. I, Ed. Paulinas. 1964; pág. 571).
COMPARAÇÃO. O ferreiro extrai do ferro duro e tosco um delicado instrumento. No fogo abrasador o ferro se purifica e se transforma em aço puro recebendo em seguida a forma dada pelo ferreiro.Nós, homens, mulheres, jovens e crianças, assemelhamo-nos ao ferro duro e tosco: cabeçudos, teimosos....; mas os homens, as mulheres, os jovens e as crianças, tão informes, cumpre tirar uma obra artística – a imagem de Deus – o Espírito Santo deve, valendo-se do fogo em abundância, abrasar os homens, mulheres, jovens e crianças, deixando verdadeiras pessoas plenificadas de Deus. Quem quiser chegar ao Céu deve ser perfeita imagem – obra prima – de Deus. A imagem pode ser esboçada de qualquer maneira; mas a obra prima, todavia, deve ser executada pelo Espírito Santo. 
OUTRA COMPARAÇÃO. Um rapaz conseguiu a segunda colocação nas disputas da patinação e tencionava doravante realizar com patins o passeio dominical junto com a família. O pai lhe diz: “Pode ir, nós iremos de carro” – corrida motorizada e corrida a pé!. Rodas grandes, diferencial, assentos forrados, motor – que diferença.!. Igual diferença se passa entre a pessoa que se deixa lavar pelo Espírito Santo e a que tudo quer fazer só por si. Por “movimento próprio”; ninguém chegará ao Céu sem precisar do impulso do Espírito Santo.

UMA EMBARCAÇÃO NO ALTO MAR. Uma embarcação no alto mar; sobre ela muitos remadores exaustos. O sol a pino lhes queima as costas – banhadas de suor. Avançam lentamente. Mas eis que leve vento favorável começa a soprar intermitentemente. Abrem a vela que o vento enfuna. A barquinha desliza agora veloz e tranqüila. Os remadores descansam os remos e repousam. Há ALGUÉM que impele a barca, muito mais celeremente do que eles.
Assim acontece com quem se deixa guiar pelo Espírito Santo.



EIS OS DONS DO ESPÍRITO SANTO:


DOM DA SABEDORIA.


 Sábio e prudente é aquele que sabe distinguir o que é importante do que não é. O dom da sabedoria ajuda-nos a distinguir o que é importante para o Céu. Tolo é o homem que não sabe ver o que lhe convém. A parábola do rico e do pobre Lázaro. (Lc. 16, 19 – 31); que por sinal nesta parábola de Jesus o rico não tem nome, e o pobre é conhecido por Deus, pelo seu nome, e este sabe que sua felicidade reside em Deus; ao passo que o rico colocava sua felicidade na riqueza material que possuía. A parábola (Mt. 25, 1 – 13) das cinco virgens prudentes e das cinco virgens estultas, é um modo pedagógico de Jesus ensinar o dom da sabedoria. Sábia são as cinco virgens prudentes que armazenaram o óleo em cantil além do óleo que tinham no candeeiro para esperar o noivo. As cinco virgens tolas não se prepararam devidamente e como o noivo demorasse, faltou óleo, enquanto iam comprar óleo, o noivo chegou, e elas ficaram de fora da festa. Virgens somos todos nós: homens, mulheres, jovens e crianças. Não importa se são casados ou solteiros. Somos todos virgens porque, inicialmente, somos puros, e buscamos a Deus; aprendemos na nossa família a amar a Deus e a se preparar para aumentar a sua amizade; mas eis que, o próprio Satã e seus amigos começam a disputar esta amizade, enchendo-nos de dúvidas sobre a amizade de Deus, sobre o próprio Deus, e fazendo desperdiçar o nosso óleo, ou seja, a nossa amizade com Deus, criando problema com os nossos irmãos, pois quem não ama o seu irmão desperdiça o óleo (1 Jo. 4,12) e não tem acesso à Ele. Viver o dom da sabedoria é como as virgens prudentes que, aumenta o seu óleo no cantil toda vez que ama os irmãos. São Paulo, em Flp. 3, 7 – 8 diz: “Tudo o que para mim era vantagem, considerei perda por Cristo... e tenho-as até em contas de esterco, a fim de ganhar a Cristo”. No juízo final os tolos, vendo os que viveram santamente o dom da sabedoria, dirão entre soluços e gemidos de angustia: “estamos arrependidos, pois estes que estamos vendo entre os Santos e contados entre os Filhos de Deus, são os mesmos que nós ríamos deles, os ultrajamos; considerávamos a sua vida uma loucura e reconhecemos que somos nós os insensatos. (Sb. 5, 2 – 5). O espírito Santo com o dom da sabedoria nos ajuda procurar nossa salvação unicamente em Deus e conhecer o que tem valor ou não diante de Deus. Muitos Homens e muitas mulheres souberam cultivar o Dom da Sabedoria, vejamos alguns fatos:
SÃO NOBERTO - São Noberto, filho de condes, educado na Corte do Imperador Henrique V, quando jovem, entregou-se aos prazeres mundanos. Certo dia – saindo para a caça – foi surpreendido por terrível tempestade. Um raio fulminou o solo mesmo em frente ao seu cavalo. Este, o derrubou lançando-lhe num precipício. Noberto por quase uma hora ficou por terra semimorto. Voltando a si, estava transformado. Que teria acontecido se naquele instante ele tivesse comparecido ao Tribunal de Deus.?. Noberto agradeceu a Deus que ainda lhe concedia tempo para fazer penitência, e mudou de vida. Aos 30 anos de idade se ordenou sacerdote, vestiu o burel de penitente e como pregador de penitência andava de aldeia em aldeia, pregando a Palavra de Deus e aconselhando de que não valia a pena condenar-se eternamente por causa dos prazeres e das riquezas. Mais tarde fundou a Ordem dos Premonstratenses. Após ter fundado seu primeiro mosteiro em 1120, morreu como arcebispo de magdeburgo, em 1136.
SANTA FLÁVIA DOMITILA - Santa Flávia Domitila pertencia à família romana dos Flávios. Era rica, herdeira de grande fortuna, já era noiva do pagão Aurélio. Entre seus escravos encontravam-se dois jovens cristãos: Nereu e Aquileu; que eram consagrados a Deus. Tiveram eles a oportunidade de familiarizar-se com a sua jovem Senhora e, num momento decisivo Nereu lhe disse: “Domitila, se a Senhorita gastasse tanto tempo em adornar a sua alma para o Esposo Celeste, quanto perde em adornar-se para o noivo Aurélio, haveria de ser bem mais feliz.!.” Domitila pôs-se a meditar e tendo-se instruída no cristianismo, fez-se cristã. O noivo, que era pagão, e que não queria uma esposa cristã denunciou-a no Tribunal pagão e, após longos tormentos, Domitila foi decapitada juntamente com seus dois escravos. Este evento aconteceu no tempo do Imperador Trajano. Escolher o dom da Sabedoria; é testemunhar Deus com a vida e com palavras. Santo Antônio sabia tão perfeitamente disto que afirmava: “as palavras são eficazes quando são as obras que falam”.


DOM DO ENTENDIMENTO.


Os Apóstolos eram pescadores; não tinham curso de doutorado; nem de mestrado em nenhuma Universidade; porém, iluminados pelo Espírito Santo, no dia de Pentecostes, compreenderam com clareza as verdades divinas, (At. 2, 1 – 12), e penetraram o sentido exato da Palavra de Deus. Sem livros foram instruídos pelo Espírito Santo e de tal forma que sabiam claramente distinguir a doutrina falsa da doutrina verdadeira e compreender de que maneira se devia entender a verdade. Muitos Homens, muitas mulheres souberam cultivar o Dom do Entendimento, vejamos alguns fatos:
SÃO FRANCISCO DE ASSIS - Frei Masseo, um dos primeiros companheiros de São Francisco, um dia lhe perguntou: “Como é que o povo te segue em massa para ver, ouvir, obedecer-te, não sendo tu nem nobre; nem douto; nem bonito; e nem sábio.?”. Francisco, então caiu de joelhos e erguendo os olhos e os braços para o Céu, louvava a Deus agradecendo com estas palavras: “Aquele que prescruta os corações sabe que isto não acontece por minha causa, mas procede dos olhos de Deus que penetram em toda a parte os bons e os maus. Seus olhares, com efeito, não viram entre os perversos alguém que fosse maior pecador e estulto do que eu, miserável homem....... E Deus através de mim, pobre e estulto age dessa maneira, a fim de que os doutos se encham de pasmo e cumpram desta forma mais obras divinas”. (Cfr. Enciclopédia Catequética, Vol. I, Ed. Paulinas, 1964, pág. 574).
SÃO CLEMNTE MARIA HOFBAUER, Apóstolo da Capital da Áustria, Viena, falecido em 1830. Quando ele era jovem trabalhou como padeiro e não tinha nenhum estudo; só começou a estudar aos 21 anos de idade. Sua formação teológica foi rápida e incompleta, e mesmo em seguida não teve oportunidade, dado o excesso de trabalhos, para remediar-lhes as lacunas. Não obstante isso, nobres dignatários eclesiásticos corriam e procuravam seu parecer sobre os profundos mistérios da fé. Na sua humildade ele apenas repetia: “Eu tenho um nariz católico.”. Era o Dom do Entendimento que nele agia. (Cfr. Enciclopédia Catequética, Vol. I, Ed. Paulinas, 1964, pág. 574).

O CURA D´ARS, São João Batista Vianney, teve muitas dificuldades no estudo; apesar disto, tornou-se conselheiro de sacerdotes, Bispos e Príncipes, e o mais procurado confessor de toda a França, isto tudo se deve ao Dom do Espírito Santo. (Cfr. O Cura D´Ars, Côn. Francis Trochu, Vozes, Petrópolis, 1960)

SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS respondia com tanta clareza mesmo às mais intricadas questões religiosas, como se fosse coisa normal. Ela chegou até a descobrir um caminho completamente novo, a “Pequena Trilha” da santidade. Tudo isso lhe foi dado pelo Dom do Entendimento, que é um Dom do Espírito Santo. (Cfr. Ida Gorres, Teresa de Lisieux, Áster, Lisboa, 1961)


DOM DO CONSELHO


Muitas vezes na vida não é fácil, na encruzilhada dos caminhos, tomar direção certa – se não houver a placa indicativa. Pelo Dom do Conselho o Espírito Santo nos ajuda a escolher o que é justo e correto.
SÃO PEDRO, o primeiro Papa (Mt. 16, 18); ao pregar o Evangelho pela primeira vez aos pagãos não sabia como se comportar, (At. 10. 1 – 16), Era um passo muito audaz e importante; mas desde o primeiro instante agiu corretamente (At. 10, 23 – 43) e o Espírito Santo então agiu nos pagãos que pediram o batismo e passaram a pertencer ao número dos fiéis. (At. 10, 44 – 48). Mas os Apóstolos e os judeus convertidos não entenderam esta abertura de Pedro, e foi preciso Pedro realizar uma Assembléia onde explicou como o Espírito Santo agiu nele e nos pagãos. (At. 11, 1 – 18); assim é que o Evangelho começou a ser pregado entre os pagãos e foram fundados “filiais” da única Igreja Católica, nas cidades de Antioquia, Chipre, Fenícia, (At. 11, 19 – 26); Icônio (At. 14, 1 – 28); Listra (At. 14, 21); Psídia, Panfília, Perge e Atalaia; (At. 14, 24 – 25); na Síria e na Cilícia (At. 15, 41); em Derbe (At. 16, 1); na Frigia, aos Gálatas (At. 16, 6); na Macedônia (At. 16, 9 – 10), na cidade de Filipos; Trôade; Samotrácia; Neápolis; (At. 16, 11 – 15); Bereía e Tessalônica (At. 17, 10 – 12) Atenas (At. 17, 16 – 34); Corinto (At. 18, 1 – 11).
Dentro da Igreja surge, às vezes, controvérsias, que são resolvidas em Assembléias e pela decisão do Hierarca como Pedro que, ao solucionar um problema entre os pagãos, afirmou: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso” (At. 15, 28). Com o Dom do Conselho o Espírito Santo dá também a nós o poder de conhecer o que é útil para a glória de Deus e o que é melhor para a nossa salvação. O Espírito Santo é o nosso Conselheiro, é a nossa ajuda e o nosso Consolador. (Jo. 14, 26; Jo. 15, 26; Jo. 16. 7). Quando você não souber mais o que fazer, invoque o Espírito Santo. Muitos Homens, muitas mulheres souberam cultivar o Dom do Conselho, vejamos alguns fatos:
SANTA CATARINA DE SENA, com a idade de 29 anos, já era freira dominicana, dirige-se à Corte Papal em Avinhão. Havia anos que os Papas tinham fixado a sua residência na França; Catarina, porém, suplica ao Papa que volte a residir em Roma, por amor à Igreja, que sofria imensamente pela ausência dos Papas na cidade de Roma. O Papa reconheceu que o Espírito Santo falava pela boca da Santa e lhe disse: “Para que te convenças que desejamos a paz, colocamos nossa vontade nas tuas mãos, contanto que salves o bem e a honra da Igreja”. Sendo, porém, que os conselheiros do Papa opinavam diversamente, Catarina escreveu ao Papa: “Sejam quais forem os perigos imaginados pelos conselheiros de Vossa Santidade, crede e confiai somente no doce Jesus”, e acrescentou mais que se deixasse guiar somente pelo Espírito Santo, e assim tudo redundaria no bem para a Igreja”. (Cfr. Kirschstein, Die heilige Caterina Von Siena, Paderborn, 1931, pág. 15 – 18; Cfr. também: J. Jowergensen. Sta. Catarina de Sena; Vozes, Petrópoles, 1953, pág. 193 e 194.).

SÃO MEIRADO construiu um quarto de eremita num bosque espesso, na Suíça, lugar de difícil acesso, todavia, pessoas de todas as classes sociais começaram a procurá-lo naquele lugar; e todos quantos iam visitá-lo voltavam enriquecidos com os bons conselhos do Espírito Santo que residia nele. Depois este eremitério transformou-se no Mosteiro Beneditino de Nossa Senhora de Einiedeln.

SÃO NICOLAU DE FLUE; que também era um ermitão; era procurado, no seu eremitério, por pessoas de todas as classes sociais, sobretudo pelos políticos, e à todos oferecia o conselho correspondente ao que cada um precisava. A Suíça deve ao conselho de Nicolau sua forma de governo. (Cfr. Adolf Deuster, Sankt Nikolaus Von Flue, pág. 147 – 155. Cfr. também: B. T. Lantin, S. Nicola de Flue, Poliglota Vaticana, 1944; pág. 98 e 99.).


DOM DA FORTALEZA.


Existem pessoas que sabem o que deveriam fazer, mas não tem forças. Há os que são Hércules de musculatura e vontade, mas não têm fortaleza de ânimo, que só vence com a constância e a paciência. Quem quiser amar e servir a Deus deve superar obstáculos – sofrimentos e tentações – internas e externas – provenientes de amigos e inimigos. Muitos Homens, muitas mulheres souberam cultivar o Dom da Fortaleza, vejamos alguns fatos:
SÃO PAULO. São Paulo, após ter enumerado os sofrimentos, conclui: “Estou cheio de consolação, transbordo de gozo em todas as minhas tribulações”. (2 Cor. 7, 4). “Quando me sinto fraco então é que sou forte.” (2 Cor. 12, 10). “Quem nos separará do amor de Cristo.?. a tribulação.?, a angustia,? A perseguição.?, a fome.?, a nudez.?, o perigo.?, a espada.?,.... “ Em todas estas situações somos mais que vencedores pela virtude d´Aquele que nos amou....; nem a morte, nem a vida, nos separará do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.!. (Rm. 8, 35)
OS MÁRTIRES. O Dom da Fortaleza revelou-se de modo especial em todos os mártires, como os mártires mais recentes: os mártires da cidade de Natal, RN; São Frei Maximiliano Kolbe, OFMconv; como os mártires mais antigos: São Sebastião; São Lourenço; Santa Inês; Santa Cecília; Santa Bárbara; Santa Maria Goretti.

O DEPUTADO ALEMÃO WINDTHORS - O Deputado alemão Windthors, que faleceu em 1891, foi um dos mais insignes deputados católicos do Parlamento (Reichstag) alemão. No tempo da “Kulturkampf” denominada também – “luta pela civilização moderna”, quando na Alemanha se pretendeu humilhar a Igreja Católica, bateu-se galhardamente pelos seus direitos obrigando o chanceler de ferro Bismak a terminar à perseguição religiosa. E mesmo no ardor da luta, o Imperador da Áustria, Francisco José, lhe ofereceu proveitosa proposta: tomar conta – mediante elevados honorários anuais – da administração patrimonial do Príncipe de Thurn, então menor. Que fazer?. Após denodadas lutas bem merecia passar tranqüilamente os últimos anos da vida sossegado; antes, porém, de anuir, foi visitar dois Bispos alemães, exilados de suas Dioceses, a fim de pedir-lhes conselho. Após tê-los ouvido, decidiu-se a resistir ainda nessa época de terríveis lutas, prosseguindo sem descanso a batalha em prol da fé e da liberdade religiosa da Alemanha. Deixara-se conduzir pelo Espírito Santo, que com o Dom da Fortaleza o sustentava a fim de continuar o caminho duro e semeados de sacrifícios, pois assim era útil ao Reino de Deus.


DOM DA CIÊNCIA.


Após a conversão Saulo deixou-se instruir na fé, na cidade de Damasco, pelo sacerdote Ananias, (At. 9, 10); retirando-se, em seguida, à solidão do deserto Arábico (Gal. 1, 17). O Espírito Santo o preencheu da nova ciência sobre Jesus. O conhecimento de Deus não se obtém apenas estudando livros, mas também conversando com Deus e deixando-se instruir por ele. Quando alguém reza, é Deus mesmo que vem instruí-lo no que lhe compete. Conhecemos mais profundamente a pessoa, quando ela mesma nos fala de si, pois nos dá a conhecer os seus mistérios, pois ninguém revela seu próprio íntimo a estranhos. Igualmente Deus não nos dá a conhecer seus mistérios, se não nos aproximarmos DELE com grande amor abrindo-lhe a nossa inteligência. São Bernardo afirma: “Há certas pessoas que procuram a CIÊNCIA por amor dela; e é estúpida curiosidade. Outros, ao contrário, procuram a CIÊNCIA apenas para serem ou se tornarem célebres; e é tola vaidade. Outros mais desejam a CIÊNCIA, a fim de poder negociar os próprios conhecimentos; e é indecoroso comércio. Enfim, alguns anseiam a CIÊNCIA a fim de melhor conhecer os próprios deveres e serem úteis aos outros, instruindo-os e esta CIÊNCIA É O DOM DO ESPÍRITO SANTO.”. (Cfr. Sermões de São Bernardo; in Cant., 26) Existiram e existem ainda na Igreja, homens e mulheres que conheceram e conhecem profundamente a Jesus por serem pessoas de acrisolada piedade. Cito apenas duas:
SÃO TOMÁS DE AQUINO. São Tomás de Aquino cujo “livro” predileto era o Crucificado.

CHIARA LUBICH Chiara Lubich, que aos 07 de dezembro de 1943, com apenas 23 anos de idade, quando quis se consagrar a Deus, antes da consagração, o Padre lhe advertiu que poderia ficar sozinha no mundo, porque, talvez, com esta consagração ela fosse incompreendida por todos, o que ela respondeu: “Refugiar-me-ei diante do Crucificado e Ele me consolará”.

DOM DA PIEDADE


A piedade é a bem-aventurada alegria de Deus. Quem é piedoso entrega-se de boa mente ao serviço de Deus e quer agradar-lhe, adorando-O, louvando-O e permanecendo com Ele. Quando MARIA, a mãe de Jesus se dirigiu à montanha para visitar Isabel, (Lc. 1, 39 – 40) seu coração encheu-se do Espírito Santo e no seu júbilo, ao chegar à casa de Isabel, cantou o seu Magnificat (Lc. 1, 46 – 55).
Também ISABEL E ZACARIAS transbordaram da alegria do Espírito Santo e Zacarias cantou o seu Bendictus, (Lc. 1, 68 – 79). Tanto o Magnificat quanto o Benedictus são dois lindos hinos da Igreja.
Um exemplo de pessoa piedosa é SÃO LUIZ GONZAGA. São Luiz Gonzaga era jovem de profunda piedade. Menino ainda, era visto muitas vezes, recolhido num ângulo da casa, retirado, rezando de joelhos sem se dar conta de que os empregados de sua casa o observava e, não raro, escarneciam. Com o passar dos anos sua piedade acrisolou-se sempre mais, e ele podia ficar de joelhos aos pés do Crucificado durante longas horas, com tamanho ardor e devoção que esquecia de estar neste mundo. Ao participar da Santa Missa, na hora da elevação, não raro chorava de alegria. Tornara-se-lhe mais fácil rezar do que não rezar. Mais tarde compreendeu que causamos grande alegria a Jesus, quando nos ocupamos dos outros; por isto quis assistir aos empestados de Roma, quando a população de Roma foi contraída pela epidemia da peste bubônica. Até contrair, ele próprio, a epidemia. Quando o médico lhe comunicou que se aproximava à hora da morte, ele entoou jubilosamente o TE DEUM LAUDEMUS, e ao Religioso que naquele instante entrava no seu quarto disse em alta voz, que finalmente estava para soar a hora de ver a Deus no Céu. No dia seguinte ele predisse exatatamente o dia e a hora da sua morte, que ocorreu no dia 21 de junho de 1591, aos 23 anos de idade. a distinguir o que é importante para o Céu. Tolo é o homem que não sabe ver o que lhe convém.

A PARÁBOLA DO RICO E POBRE LÁZARO. (Lc. 16, 19 – 31); que por sinal nesta parábola de Jesus o rico não tem nome, e o pobre é conhecido por Deus, pelo seu nome, e este sabe que sua felicidade reside em Deus; ao passo que o rico colocava sua felicidade na riqueza material que possuía. A parábola (Mt. 25, 1 – 13)

SÃO PAULO, em (Flp. 3, 7) – 8 diz: “Tudo o que para mim era vantagem, considerei perda por Cristo... e tenho-as até em contas de esterco, a fim de ganhar a Cristo”. No juízo final os tolos, vendo os que viveram santamente o dom da piedade, dirão entre soluços e gemidos de angustia: “estamos arrependidos, pois estes que estamos vendo entre os Santos e contados entre os Filhos de Deus, são os mesmos que nós ríamos deles, os ultrajamos, considerávamos a sua vida uma loucura e reconhecemos que somos nós os insensatos." (Sb. 5, 2 – 5). O espírito Santo com o dom da piedade nos ajuda procurar nossa salvação unicamente em Deus e conhecer o que tem valor ou não diante de Deus. Muitos Homens, muitas mulheres souberam cultivar o Dom da piedade, vejamos alguns fatos.


DOM DO TEMOR DE DEUS.


 No dia de Pentecostes ao se verificarem tão grandes prodígios e milagres por meio dos Apóstolos, “o temor se apoderou de todos” (At. 2, 43). Era um temor santo, um sentido de respeito, pois que todos estavam convencidos que Deus estava agindo. Quando estamos na presença de Deus, deve-se-lhe o mais santo e profundo respeito. Os próprios Demônios conhecem a Deus (Mc. 1, 24; Mc. 1, 34); também os Demônios crêem em Deus e O temem, quando estão diante DELE. (Tg. 2, 19), como o TREMOR DOS MAUS E DOS ESCRAVOS. O temor do escravo faz tremer porque teme o castigo, o inferno. O temor de Deus que nos é inspirado pelo Espírito Santo, é o temor dos bons filhos e boas filhas, que amam a Deus acima de tudo e têm um salutar temor de pensar; dizer; fazer; qualquer coisa que poderia desagradar a Deus. Mesmo por ser Deus tão grande, santo e majestoso, temem os bons filhos e as boas filhas, de amar a Deus tão pouco e servi-LO tão mal. Tratando-se de Deus, nada aprece demasiado. Para Deus doamos tudo. O temor de Deus infunde coragem e força para a luta contra o pecado.
O JOSÉ DO EGITO admoestava a mulher de Putifar: “Como poderei fazer semelhante coisa pecando contra o meu Deus?.” (Gn. 39, 9). A casta Susana aos que tentavam induzi-la ao pecado, respondia: “Mais vale ficar à vossa mercê sem ter consentido, que pecar aos olhos de Deus”. (Dn. 13, 23). O Temor de Deus é a luz “central”, a mais importante. O Temor de Deus é a raiz da sabedoria. (Eclo. 1, 25), o profundo respeito de Deus, presente em nós e operando suas maravilhas no coração dos fiéis. Muitos Homens, muitas mulheres souberam cultivar o Dom do temor de Deus, vejamos alguns fatos.

SÃO LUIS. São Luis, menino ainda, foi com o pai ao assédio de Casale, permanecendo entre os soldados, jogando entre tendas e canhões julgando-se um soldadinho importante. Ouviu, no entanto, dos lábios dos soldados algumas blasfêmias e palavras indecentes, que ele repetia inconscientemente, sem entender-lhes o significado. Quando, porém, um oficial lhe explicou o sentido, ficou profundamente abatido, e procurou reparar a ofensa feita a Deus. Nada temia mais do que o pecado. (Cfr. A. Gualandi, S. Luiz Gonzaga. Ed. Paulinas; São Paulo; 1959).

SANTO AFONSO DE LIGÓRIO Santo Afonso de Ligório tinha apenas 17 anos quando conseguiu a láurea em direito, distinguindo-se pelo seu conhecimento das leis, sua perspicácia e prudência. Começou logo a ser procurado como advogado, pois que com sua dialética esmagadora e esplêndida arte oratória desemaranhava os mais intrincados processos fazendo triunfar o direito. Num processo sumamente difícil, deu mostras de toda sua capacidade a fim de sair-se bem. Aprofundou-lhe todos os meandros ressaltando todos os pontos decisivos. De todo o lado choviam aplausos à clareza esplêndida de suas argumentações. Eis, senão, que o advogado da parte contrária, se levantou provando-lhe que ele resvalava numa pequena falsidade – pequena aparentemente insignificante ninharia, mas que mudava completamente todo o andamento do processo. Afonso compreendeu num instante. Empalideceu de temor. Abandonou sem mais a defesa da causa, deixou a sala de tribunal, renunciou ao ofício de advogado. O Temor de Deus o abatera. Fez-se sacerdote, a fim de jamais expor-se novamente à tentação de ofender a Deus tomando parte em processos. (Cfr. A. Salvani. Santo Afonso de Ligório; Ed. Paulinas; Caxias do Sul; 1961.). 
MIRIAN DE JESUS CRUCIFICADO. Mirian de Jesus Crucificado, é uma mulher árabe, nascida no ano de 1846, em Abelin, perto de Nazaré, e que após terríveis sofrimentos, morreu santamente. Ela costumava rezar dirigindo-se ao Espírito Santo nestes termos:
Ó Espírito Santo, vivificai-me, Ò amor de Deus, consumai-me, E no caminho da verdade conduzi-me, Ó Maria, minha mãe, guardai-me, Com o vosso Jesus abençoai-me, De todo erro, do perigo, E de qualquer mal, livrai-me.
FREI SEVERINO FERNANDES

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